Capítulos:
Primeira parte – Baseada nos Ensinamentos de Nisargadatta Maharaj – Transcrito e traduzido por Fra. J. A. M.
Introdução
Passo 1: Comece com o "Eu Sou" – Permanecer na pura sensação de ser
Passo 2: Compreenda a Transitoriedade – Perceba que o próprio "Eu Sou" é temporário
Passo 3: Desidentifique-se do Corpo e da Mente – Conheça-se como a testemunha
Passo 4: Observe a Consciência – Veja a consciência como um objeto, não como o Eu (Self)
Passo 5: Transcenda Todos os Conceitos – Vá além dos rótulos, até mesmo do "Eu Sou"
Passo 6: Repouse no Absoluto
Segunda parte – Baseada no Quarto Caminho, na Filocalia, e nos ensinamentos de Yves Leloup – Escrito por Fra. J. A. M.
“Passo 7”: Surpresa
Resumo:
Como chegar ao estado natural de pura consciência; meditando no 'Eu Sou'; segundo os passos do ensinamento de Nisargadatta Maharaj; sem palavras, sem se apegar a nenhuma identidade, simplesmente consciente dessa sensação de ser. "Você não é o que é percebido, mas aquilo que percebe." O Absoluto está além das experiências e além da própria consciência.
Capítulo 1: Introdução
[Tudo o que for dito aqui é para ser praticado no mesmo instante, ao ou ouvir ou ao ler. Não são passos para o futuro, não são preparações, não são luzes extraordinárias, nem emoções, nem pensamentos, nem desejos, nem imaginações... São atitudes, ações, percepções imediatas aqui agora. Não existe futuro.]
Prática
Passo 1: Comece com o "Eu Sou" – Permanecer na pura sensação de ser
Para despertar através do Eu Sou: comece com o "Eu Sou".
Comece por focar profundamente no senso de "Eu Sou", deixe que esta consciência seja sua âncora sem associá-la a qualquer identidade, permaneça centrado na experiência do puro ser, medite no Eu sou sem palavras, sem se apegar a qualquer identidade, simplesmente esteja consciente deste sentido de ser, concentre-se no sentido de "Eu Sou" profundamente e sem distrações, simplesmente descanse na consciência de estar, sem lutar por qualquer resultado, agarre-se ao sentido que Eu Sou e faço, não deixe sua atenção ser desviada. Só o Eu Sou é certo, certo de que Eu Sou é seu único capital; a sensação de eu sou é a raiz de tudo, mas não é você, é uma ferramenta para saber quando seu propósito é atendido; agora também deve ser deixada. Vá para o segundo passo, entenda a transitoriedade do eu.
Passo 2: Entenda a Transitoriedade – Perceba que o próprio "Eu Sou" é temporário
A orientação aqui é reconhecer a impermanência do eu; ele aparece e desaparece, mas não é a sua essência. Entenda que você é aquele que está além; aquele que permanece intocado por suas vindas e idas. No momento em que o eu se prova irreal, quem é que sabe que o eu é irreal? Este conhecimento dentro de você que sabe que o eu é irreal, esse conhecimento que sabe a mudança deve ser imutável, permanente. O senso de Eu Sou é a raiz de tudo, mas não é você, ele é uma ferramenta para saber que, uma vez cumprido seu propósito, ele também deve ser deixado ir. E passo três: desidentifique-se do corpo e da mente.
Passo 3: Desidentifique-se do Corpo e da Mente – Conheça a si mesmo como a Testemunha
A orientação de Maharaj: observe o corpo, a respiração e a mente como objetos de percepção, saiba que você não é esses objetos, mas a Testemunha; se estabilize nesta observação da Testemunha e permita que o desapego do corpo e da mente ocorra naturalmente; você pode observar o corpo, portanto, você não é o corpo, você pode observar a respiração, então você não é o sopro vital da respiração. Da mesma forma você não é a Consciência, mas você tem que se tornar um com a Consciência. À medida que você se estabiliza na Consciência o desapego pelo corpo e pelas expressões através do corpo ocorre espontaneamente. Perceba que o corpo e a mente são apenas instrumentos; você não é o que é percebido, mas aquilo que percebe. Conheça a si mesmo como a testemunha do corpo-mente. Seja o que for que aconteça, acontece com o corpo e com a mente. Deixe acontecer. Apenas permaneça consciente disso sem identificação.
Passo 4: Observe a Consciência – Veja a consciência como um objeto, não o Eu
Observe a consciência como um fenômeno — orientação de Maharaj: uma vez que você tenha se estabilizado na Consciência, dê o próximo passo para observá-la como um fenômeno; não se deixe envolver pelo conteúdo da consciência; reconheça que você está além dela como a Testemunha absoluta que se estabilizou na Consciência; tendo se estabilizado na Consciência, o próximo passo é estar em posição de observar a Consciência e tudo, todo o jogo que acontece na consciência, apenas para compreender que a própria Consciência é um fenômeno; estar ciente dela sem ser capturado por ela — você está além até mesmo da Consciência, como a Testemunha absoluta. Para saber o que você é, deve primeiro saber o que você não é; observe como a Consciência se comporta e veja que você não é o conteúdo da consciência.
Passo 5: Transcenda Todos os Conceitos – Vá além dos rótulos, até mesmo do "Eu Sou"
Transcenda todos os conceitos — a orientação insta a transcender todos os conceitos, incluindo o "Eu Sou"; estas são meramente
ferramentas e, em última análise, são limitações; abandone todas as identificações e permaneça em seu estado natural ilimitado; compreenda que isso também deve ser descartado — o princípio que pode julgar se o mundo é ou não; esse princípio antecede o mundo, todos os conceitos, até mesmo o conceito de "eu sou" são limitações; transcenda todas essas limitações e permaneça em seu estado natural; você deve abandonar tudo o que pensa ser e tudo o que pensa que o mundo é, para saber o que verdadeiramente o que é o Real; está além de conceitos e nomes...
Passo 6: Descanse no Absoluto – Chegue ao seu estado natural de pura consciência
Absoluto — a orientação de Maharaj: descanse no Absoluto onde não há nada a ganhar ou perder; é o estado além de todas as necessidades, desejos e identificações; simplesmente seja, sem qualquer esforço quando o saber se vai, o Absoluto não saberá "eu sou"; aparecimento e desaparecimento, nascimento e morte — essas são as qualidades do ser; elas não são as suas qualidades. O Absoluto está além de todas as experiências e além Consciência; [Ele] é, em si, o estado onde nada existe e nada é necessário permaneça nesse estado no qual não há necessidade de nada — o estado; onde não há necessidades, desejos ou identificação; esse é o Absoluto: quando você percebe que não é a pessoa, mas apenas a Testemunha, e que essa pura consciência é a sua verdadeira natureza; então, você será livre; você se conhecerá, não como um objeto em Consciência, mas como o fundo imutável sobre o qual a Consciência aparece e desaparece. Fique com o eu sou tudo.
Passo 7: Surpresa: Tudo é assim.
Até aqui todos os iluminados falaram, posso citar alguns dos maiores e mais recentes, Nisargadatja, Ramana, Padre Pio, São Serafim de Sarov... Mas isto não é tudo. Quem é mais iluminado, aquele que acordou ou aquele que nunca dormiu? Houve um iluminado que veio sem esquecimento algum, direto da fonte. Nós esquecemos, nos identificamos com a personagem, que estamos representando agora, de tal forma que esquecemos quem somos na verdade. Jesus não nasceu esquecido como nós. Ele veio completar toda a lei. Por isso nós ensinamos algo mais acima, um passo mais acima. Onde a união é feita por amor e conhecimento, e conserva ambos. Existem os iluminados pela sabedoria (conhecimento direto da verdade); os iluminados pelo amor à verdade (o caminho da devoção, religião, bhakti) e os iluminados dos dois modos, escolha o melhor, escolha o camino dos iluminados de ambos os modos.
Prática: Nós vamos além disso, (se você parar aqui ou você volta de mãos vazias, se tiver alguma consciência do Logos, ou perde sua alma): o sétimo é voltar a realidade: para chegar a esse ponto você abandonou partes do ser, para perceber-se como todo. As montanhas deixaram de ser montanhas... Você se uniu à mente de Deus, o Logos, Cristo? Você tem consciência de cada coisa, cada ser, cada átomo, cada lei, cada número, cada fenômeno, cada história, cada ilusão vivida, cada uma e todas as equações resolvidas? Parece que não. Então onde está sua iluminação, sua onisciência, sua verdade absoluta? Onde estão estas partes do ser que abandonou? Não estão no todo? Pois bem, você não é o absoluto apenas, você também é o ser individual, criado dentro do absoluto, você também é a mente e o corpo e as impressões; tudo é você. Não há contradição. Não há mais paradoxo entre o ser e o absoluto. A contradição também faz parte, até que chegue aqui, para chegar aqui e ver que nunca saiu daqui. Tudo está no Logos, você precisa do Logos e você é o Logos, um raio, uma extensão dele, não há separação, cada ser é um raio. Não há contradição. Entre a multiplicidade e a unidade. Você é você e você é todos e você é tudo, e você é o absoluto, não existe contradição. Aceite o que é. Perceba que tudo é como é. As montanhas voltaram ser montanhas. Esta é a verdadeira iluminação. O despertar. Você agora deve seguir, de despertar em despertar eternamente, pois o absoluto é infinito o espírito é infinito e já está realizado todo, Onisciente. A consciência dos seres passeia em conhecê-lo, conhecendo e conhecendo: trazendo à consciência, enquanto múltipla, o que está na consciência, enquanto Una Oanisciente. esta é a aventura a bem-aventurança.
CONTINUA...
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