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terça-feira, 24 de maio de 2016

As Características da Insubstancialidade ou do Não-Eu

Aqui mais um sutta sobre o ensinamento mais central do budismo, nas palavras do próprio Buda, anatta, a insubstancialidade (comumente traduzido ao pé da letra como não eu). Ao lado de sunna e sunnata esse termo tem sido provavelmente também o aspecto menos entendido do ensinamento, principalmente por aqueles de fora do budismo ou os que se aproximam com uma análise comum e superficial.
A dificuldade sobre a compreensão de anatta por alguém de fora é bastante compreensível, pois sem a experiência necessária é praticamente impossível um entendimento ao menos próximo do seu real significado. Se a pessoa não se esforça, se não pensa corretamente, se não vê corretamente também não vai meditar corretamente e por isso não vai compreender corretamente, isto é não surgirá nessa pessoa o insight ou a compreensão correta. Mas esse sutta é um modelo de um teste cientifico que o Senhor Buda oferece a quem sinceramente busca começar a entender e ver por si mesmo o que é anatta.
Ele pode ser aplicado tanto na meditação, quando aquietando nossa mente e atingindo um estado de maior clareza mental observamos os diversos elementos de nossa mente e de nossa experiência, quanto na nossa vida cotidiana sobre qualquer coisa que observarmos ou que dirigirmos nossa atenção e sinceramente procurando ali algum, certamente não encontraremos. Essa realidade é a mais fundamental de todas, a impessoalidade e insubstancialidade de todos os fenômenos, pois mesmo em Nibbana não se pode encontrar uma egoidade ou entidade pessoal ou identificação pessoal. As outras duas características da existência ao lado de anatta, anicca (impermanência) e dukkha (insatifatoriedade), são fruto da delusão, da ignorância, e são superadas com o despertar, quanto a anatta não há como dizer que cessa ou que continua, pois ninguém pode dizer se existe ou não existe na verdade o não-eu, ou a insubstacialidade fundamental, assim como poderia cessar aquilo que não é de fato?
Nibbana não pode ser tido como um eu ou como um não-eu, nem como meu, nem como meu eu, nem como meu não-eu, como é dito em outro sutta. Por isso a iluminação budista não consiste no atingimento de um “eu verdadeiro” ou “eu superior”, mas na libertação da ignorância, e do sofrimento, que só pode ser alcançado por uma transformação mental, uma purificação radical que extingue todos os obstáculos à verdade. Ver que a insatisfatoriedade e a impermanência são realidades é relativamente bem fácil, mas ver que não há um eu em nós nem em coisa alguma é mais difícil, porém acessível a quem se aproxime de forma correta. Aplique a fórmula se quiser verificar por si mesmo.


Samyutta Nikaya XXII.59
Anatta-lakkhana Sutta
As Características do Não-Eu
Para distribuição gratuita como um presente do Dhamma

Assim ouvi. Em certa ocasião, o Abençoado estava em Benares na Reserva de Caça em Isipatana. Lá ele se dirigiu ao grupo de cinco monges desta forma: “Bhikkhus” – “Venerável Senhor,” eles responderam. O Abençoado disse o seguinte:

“A forma, bhikkhus, é não-eu. Pois, bhikkhus, se a forma fosse o eu, essa forma não conduziria ao sofrimento e seria possível obter da forma: ‘Que a minha forma seja assim; que a minha forma não seja assim.’ Mas porque a forma é não-eu, a forma conduz ao sofrimento e não é possível obter da forma: ‘Que a minha forma seja assim; que a minha forma não seja assim.’ 

“A sensação é não-eu...

“A percepção é não-eu...

“As formações são não-eu...

“A consciência é não-eu. Pois, bhikkhus, se a consciência fosse o eu, essa consciência não conduziria ao sofrimento e seria possível obter da consciência: ‘Que a minha consciência seja assim; que a minha consciência não seja assim.’ Mas porque a consciência é não-eu, a consciência conduz ao sofrimento e não é possível obter da consciência: ‘Que a minha consciência seja assim; que a minha consciência não seja assim.’ 

“O que vocês pensam, bhikkhus, a forma é permanente ou impermanente?

“Impermanente, senhor.

"E aquilo que é impermanente é sofrimento ou felicidade?

“Sofrimento, senhor.

“E é adequado considerar o que é impermanente, sofrimento, sujeito a mudanças como: ‘Isso é meu. Isso sou eu. Isso é o meu eu’?

“Não, senhor.

“...A sensação é permanente ou impermanente?

“Impermanente, senhor.

“...A percepção é permanente ou impermanente?

“Impermanente, senhor.

“...As formações são permanentes ou impermanentes?

“Impermanentes, senhor.

“O que vocês pensam, bhikkhus, a consciência é permanente ou impermanente?

“Impermanente, senhor.

“E aquilo que é impermanente é sofrimento ou felicidade?

“Sofrimento, senhor.

“E é adequado considerar o que é impermanente, sofrimento, sujeito a mudanças como: 'Isso é meu. Isso sou eu. Isso é o meu eu’? 

“Não, senhor.

“Portanto, bhikkhus, qualquer forma, quer seja do passado, futuro ou presente, interna ou externa; grosseira ou sutil; inferior ou superior, próxima ou distante: toda forma deve ser vista como na verdade é, com correta sabedoria: ‘Isso não é meu, isso não sou eu, isso não é o meu eu.’

“Qualquer sensação...

“Qualquer percepção...

“Quaisquer formações...

“Qualquer consciência, quer seja do passado, do futuro ou do presente, interna ou externa; grosseira ou sutil; inferior ou superior; próxima ou distante: toda consciência deve ser vista como na verdade é, com correta sabedoria: ‘Isso não é meu, isso não sou eu, isso não é o meu eu.’

“Vendo dessa forma, o nobre discípulo bem instruído se desencanta com a forma, se desencanta com a sensação, se desencanta com a percepção, se desencanta com as formações, se desencanta com a consciência. Desencantado ele se torna desapegado. Através do desapego a sua mente é libertada. Quando ela está libertada surge o conhecimento: ‘Libertada.’ Ele compreende que: ‘O nascimento foi destruído, a vida santa foi vivida, o que deveria ser feito foi feito, não há mais vir a ser a nenhum estado.’”

Isso foi o que o Abençoado disse. Os bhikkhus ficaram satisfeitos e contentes com as palavras do Abençoado. E enquanto essa explanação estava sendo dada, as mentes do grupo de cinco bhikkhus, foram libertadas das impurezas através do desapego.


Obs.: note a similaridade de mais este sutta com o Sutra do Coração, das tradições mahayanas.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A CONDUTA

Nesse suttaa o Senhor Buda fala aos Brâmanes de Sala, o texto trás perguntas comuns, que nós hoje ainda fazemos e as respostas centram nas causas comportamentais do nosso devir, ou seja, do comportamento e seus resultados. Trás características comuns de outros suttas e muitos outros detalhes importantes.

Majjhima Nikaya 41

 Saleyyaka Sutta

Os Brâmanes de Sala

Traduzido do Pali para o inglês originalmente por Bhikkhu Nanamoli, editado e revisado por Bhikkhu Boddhi
Somente para distribuição gratuita como um presente do Dhamma


O local.

1. Assim ouvi. Em certa ocasião o Abençoado estava perambulando por Kosala com uma grande sangha de bhikkhus até que por fim acabou chegando em um vilarejo brâmane denominado Sala.

A fama do desperto, suas características.

2. Os brâmanes chefes de família de Sala ouviram: “Gotama o contemplativo, o filho dos Sakyas, que adotou a vida santa deixando o clã dos Sakyas, que andava perambulando em Kosala com um grande número de bhikkhus chegou em Sala. E acerca desse mestre Gotama existe essa boa reputação: ‘Esse Abençoado é sublime, digno, perfeitamente iluminado, consumado no verdadeiro conhecimento e conduta, bem-aventurado, conhecedor dos mundos, um líder insuperável de pessoas preparadas para serem treinadas, mestre de devas e humanos, iluminado, sublime.

Aqui a declaração do Buda sobre seu conhecimento. Quando se diz “este mundo” significa todo o universo; “com os seus devas, maras e brahmas, esta geração com seus contemplativos e brâmanes, seus príncipes e o povo” significa o que ele viu por si mesmo após o despertar, desde as mais elevadas “dimensões da existência” até o nível mais comum, desde os devas (ou deuses) e seus mundos até os nossos, em toda sua extensão, isto é, não apenas um momento da existência, mas, como ele mesmo descreve em outros suttas as várias vidas de cada ser e as consequências de suas ações. E também se fala do que ele ensina e descreve-se o comportamento diferente dos que foram até ele.

“Ele declara - tendo realizado por si próprio com o conhecimento direto - este mundo com os seus devas, maras e brahmas, esta geração com seus contemplativos e brâmanes, seus príncipes e o povo. Ele ensina o Dhamma com o significado e fraseado corretos, que é admirável no início, admirável no meio, admirável no final; e ele revela uma vida santa que é completamente perfeita e imaculada.’ É bom poder encontrar alguém tão nobre.”

3. Assim os brâmanes chefes de família de Sala foram até o Abençoado. Alguns homenagearam o Abençoado e sentaram a um lado; alguns trocaram saudações corteses com ele e após a troca de saudações sentaram a um lado; alguns ajuntaram as mãos em respeitosa saudação e sentaram a um lado; alguns anunciaram o seu nome e clã e sentaram a um lado. Alguns permaneceram em silêncio e sentaram a um lado.

A causa das próximas vidas e de suas características. Isto é perguntado ao Buda tendo como base a religião dos brâmanes, não necessariamente uma experiência própria e de forma alguma uma experiência como a do Buda.

4. Uma vez sentados, eles disseram para o Abençoado: ‘Mestre Gotama, qual é a causa e condição porque alguns seres, com a dissolução do corpo, após a morte, reaparecem num estado de privação, num destino infeliz, nos reinos inferiores, até mesmo no inferno? E qual é a causa e condição porque alguns seres, com a dissolução do corpo, após a morte, reaparecem num destino feliz, até mesmo no paraíso?”

A resposta.

5. “Chefes de família, é devido à conduta em desacordo com o Dhamma, devido à conduta corrompida que alguns seres, com a dissolução do corpo, após a morte, reaparecem num estado de privação, num destino infeliz, nos reinos inferiores, até mesmo no inferno. É devido à conduta de acordo com o Dhamma, devido à conduta íntegra que alguns seres, com a dissolução do corpo, após a morte, reaparecem num destino feliz, até mesmo no paraíso.”

Eles não compreendem, pois não sabem o que faz isto acontecer nem como. Alguns achavam que os deuses julgavam as pessoas, outros que era um destino predeterminado, outros não acreditavam em coisa alguma, nem na consequência de seus atos. Eles também não entendem em detalhe o que foi dito.

6. “Nós não compreendemos em detalhe o significado da afirmação do Mestre Gotama, daquilo que foi dito de forma resumida sem explicar o significado em detalhe. Seria bom se o Mestre Gotama nos ensinasse o Dhamma de forma que nós pudéssemos entender em detalhe o significado da afirmação do Mestre Gotama."

Os três tipos de conduta que se detalham nos dez tipos de ações virtuosas e os dez tipos de ações censuráveis. Na verdade as questões morais e éticas apontadas por Buda são bem mais que questões desse tipo; elas são fundamentalmente questões que podemos chamar de comportamentais que vão principalmente corroborar o sucesso do caminho apontado pelo Buda. Isto significa que os elementos ou detalhes do elos do caminho óctuplo não são elementos isolados que apenas com mais ou menos ênfase vão levar o praticante ao despertar. Os elementos mesmo em seus detalhes são as causas e condições que em conjunto levam ao despertar, não são caminhos diferentes nem graduais, embora toma-los gradualmente de modo cumulativo seja uma boa maneira de começar; não se substitui um elo por outro ou um treinamento por outro em se tratando da moral. Os traduzidos erroneamente como preceitos não podem limitar todo o comportamente ético do budista, ertse vai muito mais além e envolve muito mais elementos. Buda aponta muitos detalhes da diciplina em vários suttas, a moral não é apenas um pre-requisito, é também um pre-requisito, porém, mais que isso já é uma purificaç~çao uma limpeza e organização iniciao que o praticante comprovará eficaz pela prática e a levará para o resto da vida. Isso não de uma forma rígida nem apegada, mas como um excelente veiculo para atravessar a correnteza do samsara. A balsa só é descartada depois que a travessia é feita, ou seja, após o despertar.

"Então, chefes de família, ouçam e prestem muita atenção àquilo que eu vou dizer."

"Sim, senhor," eles responderam. O Abençoado disse o seguinte:

7. “Chefes de família, existem três tipos de conduta corporal em desacordo com o Dhamma, conduta corrompida. Existem quatro tipos de conduta verbal em desacordo com o Dhamma, conduta corrompida. Existem três tipos de conduta mental em desacordo com o Dhamma, conduta corrompida.

8. “E quais, chefes de família, são os três tipos de conduta corporal em desacordo com o Dhamma, conduta corrompida?[1]É o caso em que alguém tira a vida de outros seres, um homicida, sanguinário, dedicado a golpes e violência, demonstrando nenhuma piedade com os seres vivos.[2]Ele toma o que não é dado, ele toma, como se fosse um ladrão, os bens e propriedades de outros num vilarejo ou na floresta.[3]Ele se comporta de forma imprópria em relação aos prazeres sensuais; ele se envolve sexualmente com quem está sob a proteção da mãe, do pai, dos irmãos, das irmãs, dos parentes, que possuem esposo, protegidas pela lei ou mesmo com quem esteja coroada de flores por um outro homem. Assim são os três tipos de conduta corporal em desacordo com o Dhamma, conduta corrompida.

Observe acima o detalhamento inicial dos três primeiros grandes obstáculos. Em alguns suttas podem ser encontrados mais detalhes. Especialmente nos que se seguem essa explicação é mais detalhada ainda.

9. E quais, chefes de família, são os quatro tipos de conduta verbal em desacordo com o Dhamma, conduta corrompida? [4]É o caso em que alguém emprega linguagem mentirosa; tendo sido chamado para uma corte, uma reunião, um encontro com seus parentes, com a sua corporação, com a família real, se assim for questionado como testemunha: 'Então, bom homem, diga o que você sabe,' se ele não souber, dirá, 'Eu sei'; se ele souber, dirá, 'Eu não sei'; se ele não viu, dirá, 'Eu vi'; se ele viu, dirá, 'Eu não vi'; com plena consciência ele conta mentiras em seu próprio benefício, pelo benefício de outros ou para obter algum benefício mundano insignificante. Ele emprega linguagem maliciosa; o que ouviu aqui ele conta ali para separar aquelas pessoas destas, ou o que ele ouviu lá conta aqui para separar estas pessoas daquelas; assim ele separa aquelas pessoas que estão unidas, ele cria divisões, ama a discórdia, se delicia com a discórdia, desfruta da discórdia, diz coisas que criam a discórdia. Ele emprega linguagem grosseira; ele emprega palavras que são grosseiras, duras, que magoam os outros, que ofendem os outros, próximas da raiva e que não favorecem a concentração. Ele emprega a linguagem frívola; ele fala fora de hora, diz o que não é fato, diz o que é inútil, diz aquilo que é contrário ao Dhamma e Disciplina; nas horas inadequadas ele diz palavras que são inúteis, irracionais, imoderadas e que não trazem benefício. Assim são os quatro tipos de conduta verbal em desacordo com o Dhamma, conduta corrompida.

10. E quais, chefes de família, são os três tipos de conduta mental em desacordo com o Dhamma, conduta corrompida? É o caso em que alguém é cobiçoso; ele cobiça os bens e propriedades dos outros, pensando, 'Ah, que aquilo que pertence aos outros seja meu!' Ou a sua mente possui má vontade e as suas intenções estão plenas de raiva: 'Que esses seres sejam mortos e assassinados, que eles cessem, faleçam ou sejam aniquilados!' Ou ele tem entendimento incorreto, vê as coisas de forma distorcida: 'Não existe nada que é dado, nada que é oferecido, nada que é sacrificado; não existe fruto ou resultado de ações boas ou más; não existe este mundo, nem outro mundo; não existe mãe, nem pai; nenhum ser que renasça espontaneamente; não existem no mundo brâmanes nem contemplativos bons e virtuosos que, após terem conhecido e compreendido diretamente por eles mesmos, proclamem este mundo e o próximo.' [1] Assim são os três tipos de conduta mental em desacordo com o Dhamma, conduta corrompida. Portanto, chefes de família, é devido à conduta em desacordo com o Dhamma, devido à conduta corrompida que alguns seres, com a dissolução do corpo, após a morte, reaparecem num estado de privação, num destino infeliz, nos reinos inferiores, até mesmo no inferno.

11. “Chefes de família, existem três tipos de conduta corporal em acordo com o Dhamma, conduta íntegra. Existem quatro tipos de conduta verbal de acordo com o Dhamma, conduta íntegra. Existem três tipos de conduta mental de acordo com o Dhamma, conduta íntegra.

12. E quais, chefes de família, são os três tipos de conduta corporal de acordo com o Dhamma, conduta íntegra? É o caso em que alguém, abandonando tirar a vida de outros seres, se abstém de tirar a vida de outros seres; ele permanece com a sua vara e arma postas de lado, bondoso e gentil, compassivo com todos os seres vivos. Abandonando tomar o que não seja dado, ele se abstém de tomar o que não é dado; ele não toma, como se fosse um ladrão, os bens e propriedades de outros num vilarejo ou na floresta. Abandonando a conduta imprópria com relação aos prazeres sensuais, ele se abstém da conduta imprópria com relação aos prazeres sensuais; ele não se envolve sexualmente com quem está sob a proteção da mãe, do pai, dos irmãos, das irmãs, dos parentes, que possuem esposo, protegidas pela lei ou mesmo com quem esteja coroada de flores por um outro homem. Assim são os três tipos de conduta corporal de acordo com o Dhamma, conduta íntegra.

13. E quais, chefes de família, são os quatro tipos de conduta verbal de acordo com o Dhamma, conduta íntegra? É o caso em que alguém, abandonando a linguagem mentirosa,  se abstém da linguagem mentirosa; tendo sido chamado para uma corte, uma reunião, um encontro com seus parentes, com a sua corporação, com a família real, se assim for questionado como testemunha: 'Então, bom homem, diga o que você sabe,' se ele não souber, dirá, 'Eu não sei'; se ele souber, dirá, 'Eu sei'; se ele não viu, dirá, 'Eu não vi'; se ele viu, dirá, 'Eu vi'. Assim com plena consciência ele não conta mentiras em seu próprio benefício, pelo benefício de outros ou para obter algum benefício mundano insignificante. Abandonando a linguagem maliciosa, ele se abstém da linguagem maliciosa; o que ouviu aqui ele não conta ali para separar aquelas pessoas destas, ou, o que ouviu lá ele não conta aqui para separar estas pessoas daquelas; assim ele reconcilia aquelas pessoas que estão divididas, promove a amizade, ele ama a concórdia, se delicia com a concórdia, desfruta da concórdia, diz coisas que criam a concórdia. Abandonando a linguagem grosseira, ele se abstém da linguagem grosseira. Ele diz palavras que são gentis, que agradam aos ouvidos, carinhosas, que penetram o coração, que são corteses, desejadas por muitos e que agradam a muitos. Abandonando a linguagem frívola, ele se abstém da linguagem frívola. Ele fala na hora certa, diz o que é fato, aquilo que é bom, fala de acordo com o Dhamma e a Disciplina; nas horas adequadas ele diz palavras que são úteis, racionais, moderadas e que trazem benefício. Assim são os quatro tipos de conduta verbal de acordo com o Dhamma, conduta íntegra.

14. E quais, chefes de família, são os três tipos de conduta mental de acordo com o Dhamma, conduta íntegra? É o caso em que alguém não é cobiçoso. Ele não cobiça as posses dos outros, pensando, 'Ah, que aquilo que pertence aos outros seja meu!' A sua mente não possui má vontade e as suas intenções estão isentas de raiva: 'Que esses seres possam estar livres da inimizade, aflição e ansiedade! Que eles vivam felizes!’ Ele tem entendimento correto e não vê as coisas de forma distorcida: ‘Existe aquilo que é dado e o que é oferecido e o que é sacrificado; existe fruto e resultado de boas e más ações; existe este mundo e o outro mundo; existe a mãe e o pai; existem seres que renascem espontaneamente; existem no mundo brâmanes e contemplativos bons e virtuosos que, após terem conhecido e compreendido diretamente por eles mesmos, proclamam este mundo e o próximo.’ Assim são os três tipos de conduta mental de acordo com o Dhamma, conduta íntegra. Portanto, chefes de família, é devido à conduta de acordo com o Dhamma, devido à conduta íntegra que alguns seres, com a dissolução do corpo, após a morte, reaparecem em um destino feliz, até mesmo no paraíso.

15. “Se, chefes de família, alguém que mantenha a conduta de acordo com o Dhamma, conduta íntegra, desejasse: ‘Ah, que na dissolução do corpo, após a morte, eu possa renascer na companhia de nobres prósperos!’ é possível que na dissolução do corpo, após a morte, ele renasça na companhia de nobres prósperos. Porque isso? Porque ele mantém a conduta de acordo com o Dhamma, conduta íntegra.

16-17. “Se, chefes de família, alguém que mantenha a conduta de acordo com o Dhamma, conduta íntegra, desejasse: ‘Ah, que na dissolução do corpo, após a morte, eu possa renascer na companhia de brâmanes prósperos! ... na companhia de chefes de família prósperos!’ é possível que na dissolução do corpo, após a morte, ele renasça na companhia de chefes de família prósperos. Porque isso? Porque ele mantém a conduta de acordo com o Dhamma, conduta íntegra.

18-42. “Se, chefes de família, alguém que mantenha a conduta de acordo com o Dhamma, conduta íntegra, desejasse: ‘Ah, que na dissolução do corpo, após a morte, eu possa renascer na companhia dos devas do paraíso dos quatro grandes reis! ... na companhia dos devas do paraíso dos trinta e três! ... dos devas Yama ... dos devas do paraíso de Tusita ... dos devas que se deliciam com a criação ... dos devas que exercem poder sobre a criação de outros ... dos devas do cortejo de brahma ... os devas da radiância [2] ... os devas da radiância limitada .... os devas da radiância imensurável ... os devas que emanam radiância ... os devas da glória  ... os devas da glória limitada ... os devas da glória imensurável ... os devas da glória refulgente ... os devas do grande fruto ... os devas aviha ... os devas atappa ... os devas sudassa ... os devas sudassi ... os devas akanittha ... os devas da base do espaço infinito ... os devas da base da consciência infinita ... os devas da base do nada ... os devas da base da nem percepção, nem não percepção!’ é possível que na dissolução do corpo, após a morte, ele renasça na companhia dos devas da base da nem percepção, nem não percepção. Porque isso? Porque ele mantém a conduta de acordo com o Dhamma, conduta íntegra.

43. “Se, chefes de família, alguém que mantenha a conduta de acordo com o Dhamma, conduta íntegra, desejasse: ‘Realizando por mim mesmo através do conhecimento direto, que eu possa aqui e agora entrar e permanecer na libertação da mente e libertação pela sabedoria que são imaculadas com a destruição de todas as impurezas!’ É possível que, realizando por si mesmo através do conhecimento direto ele possa aqui e agora entrar e permanecer na libertação da mente e libertação pela sabedoria que são imaculadas com a destruição de todas as impurezas. Porque isso? Porque ele mantém a conduta de acordo com o Dhamma, conduta íntegra. [3]

44. Quando isso foi dito, os brâmanes chefes de família de Sala disseram para o Abençoado: "Magnífico, Mestre Gotama! Magnífico, Mestre Gotama! Mestre Gotama esclareceu o Dhamma de várias formas, como se tivesse colocado em pé o que estava de cabeça para baixo, revelasse o que estava escondido, mostrasse o caminho para alguém que estivesse perdido ou segurasse uma lâmpada no escuro para aqueles que possuem visão pudessem ver as formas. Nós buscamos refúgio no Mestre Gotama, no Dhamma e na Sangha dos bhikkhus. Que o Mestre Gotama nos aceite como discípulos leigos que nele buscaram refúgio para o resto da sua vida."

Abreviações:

MA      Majjhima Nikaya Atthakatha

MT      Majjhima Nikaya Tika


Notas:
[1] Esta é uma doutrina moral materialista niilista que nega a vida após a morte e a conseqüência de kamma. “Não existe nada que é dado” significa que não existe fruto da generosidade; “não existe este mundo, nem outro mundo” significa que não existe renascimento neste mundo, nem num outro mundo; “não existe mãe, nem pai” significa que não existe fruto da boa conduta ou má conduta em relação à mãe e ao pai. O enunciado sobre contemplativos e brâmanes nega a existência de Budas e arahants.
[2] MA explica que “os devas da radiância” não é uma categoria separada de devas mas um nome coletivo para as três categorias que seguem; o mesmo se aplica aos “devas da glória.”
[3] Deve ser observado que a “conduta de acordo com o Dhamma” da forma como está descrita neste sutta é uma condição necessária para o renascimento nos planos superiores e para a destruição das impurezas, no entanto isso não quer dizer que essa é a única condição. O renascimento nos reinos que iniciam com os devas do cortejo de brahma requer a realização dos jhanas, o renascimento nas moradas puras (os cinco que começam com os devas de aviha) a realização do estágio daquele ‘que não retorna,’ o renascimento nos planos imateriais as correspondentes realizações imateriais (jhanas imateriais) e a destruição das impurezas requer a prática completa do Nobre Caminho Óctuplo até o caminho do arahant.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

EM CHAMAS...

Samyutta Nikaya XXXV.28

Adittapariyaya Sutta O Discurso do Fogo

Para distribuição gratuita como um presente do Dhamma

Em certa ocasião, o Abençoado estava em Gaya, em Gayasissa, com 1.000 bhikkhus. Lá ele se dirigiu aos bhikkhus:
"Bhikkhus, o todo está em chamas. E qual é esse todo que está em chamas? O olho está em chamas, as formas estão em chamas, a consciência no olho está em chamas, o contato no olho está em chamas, e qualquer sensação que surja tendo o contato no olho como condição – quer seja prazerosa, dolorosa ou nem prazerosa, nem dolorosa - isso também está em chamas. Em chamas com o que? Em chamas com o fogo da cobiça, o fogo da aversão, o fogo da delusão. Em chamas, eu lhes digo, com o nascimento, envelhecimento e morte, com a tristeza, lamentação, dor, angústia e desespero.
"O ouvido está em chamas, os sons estão em chamas...
"O nariz está em chamas, os aromas estão em chamas...
"A língua está em chamas, os sabores estão em chamas...
"O corpo está em chamas, os tangíveis estão em chamas...
"A mente está em chamas, os objetos mentais estão em chamas, a consciência na mente está em chamas, o contato na mente está em chamas, e qualquer sensação que surja tendo o contato na mente como condição - quer seja prazerosa, dolorosa ou nem prazerosa, nem dolorosa. Em chamas com o que? Em chamas com o fogo da cobiça, o fogo da aversão, o fogo da delusão. Em chamas, eu lhes digo, com o nascimento, envelhecimento e morte, com a tristeza, lamentação, dor, angústia e desespero.
"Vendo desse modo, o nobre discípulo se desencanta com o olho, desencanta com as formas, desencanta com a consciência no olho, desencanta com o contato no olho, desencanta com qualquer sensação que surja na dependência do contato no olho – quer seja prazerosa, dolorosa ou nem prazerosa, nem dolorosa.
"Ele se desencanta com o ouvido...
"Ele se desencanta com o nariz...
"Ele se desencanta com a língua...
"Ele se desencanta com o corpo...
"Ele se desencanta com a mente, desencanta com os objetos mentais, desencanta com a consciência na mente, desencanta com o contato na mente, desencanta com qualquer sensação que surja tendo o contato na mente como condição – quer seja prazerosa, dolorosa ou nem prazerosa, nem dolorosa. Desencantado ele se torna desapegado. Através do desapego a sua mente é libertada. Quando ela está libertada surge o conhecimento: ‘Libertada.’ Ele compreende que: ‘O nascimento foi destruído, a vida santa foi vivida, o que deveria ser feito foi feito, não há mais vir a ser a nenhum estado.’”
Isso foi o que o Abençoado disse. Os bhikkhus ficaram satisfeitos e contentes com as palavras do Abençoado. E enquanto o discurso estava sendo proferido, os 1.000 bhikkhus, através do desapego, foram completamente libertados das impurezas.



sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

ALQUIMIA DO BUDA (parte 2)

– Por Kalyanadhamma
            Os símbolos usados na alquimia são difíceis de decifrar. Aqui temos um texto pequeno, mas um discurso completo, inclusive com explicação. O que faria o alquimista seria conservar a fórmula com os símbolos ou apenas a parte que os contém. Sabendo ele o significado que permaneceria em segredo e jamais revelando a outro seria muito difícil alguém entender ao que se refere e quais os procedimentos.
            Neste sutta Buda explica o significado num primeiro nível e mais importante de tradução dos símbolos alquímicos, o nível psíquico. Esta é a alquimia psíquica explicada por seu autor, traduzindo ele mesmo seu simbolismo. Outra questão importante é o sinal da concentração. Existem sinais, físicos, ou imagens ou sensações sutis, que informam ao meditante o ponto de estabilidade, dando uma ideia de que tipo de atitude deve cultivar e que tipo deve banir. Estes sinais podem ser vários ou mesmo um conjunto. Existem também sinais que são interpretados como sucesso quando na verdade são obstáculos. Por isso a orientação de um professor experiente, os retiros sob orientação de monges e professores, e o estudo são bastante incentivados e de importância capital no desenvolvimento.
Uma das mais importantes etapas do aprendizado da meditação, aquela em que sustentando um equilíbrio entre os elementos de um estado se avança até outro, mais profundo, onde o praticante pode purificar o ouro, através da destruição das impurezas. Sem dívida uma das realizações mais imprescindíveis para o atingimento do despertar (a iluminação) do pondo de vista budista. O praticante pode também em seguida, mantendo o equilíbrio dos elementos da concentração e a devida atenção equânime a eles e o controle equilibrado, dirigir sua mente e sua atenção para o conhecimento dos dhammas, ou seja, neste caso, a tradução de dhamma específica é fenômeno, o conhecimento dos fenômenos, sejam eles quais forem, mas também do dhamma no sentido de ensinamento, aquelas informações, conhecimentos, a sabedoria, indispensáveis à consecução do despertar, o dhamma (darma) do Buda. Pode então saber, ver, conhecer diretamente, por si mesmo, aquilo que o Buda ensina.
Anguttara Nikaya III.101
Nimitta Sutta
Sinais
Somente para distribuição gratuita.
Este trabalho pode ser impresso para distribuição gratuita.
Este trabalho pode ser re-formatado e distribuído para uso em computadores e redes de computadores
contanto que nenhum custo seja cobrado pela distribuição ou uso.
De outra forma todos os direitos estão reservados.

“Um bhikkhu dedicado ao treinamento da mente superior, no momento apropriado, deve dar atenção a três sinais. Ele deve no momento apropriado dar atenção ao sinal da concentração, no momento apropriado dar atenção ao sinal do esforço energético, no momento apropriado dar atenção ao sinal da equanimidade.
“Se um bhikkhu dedicado ao treinamento da mente superior der exclusiva atenção ao sinal da concentração, é possível que a mente dele seja capturada pela indolência. [1] Se ele der exclusiva atenção ao sinal do esforço energético, é possível que a mente dele seja capturada pela inquietação. Se ele der exclusiva atenção ao sinal da equanimidade, é possível que a mente dele não fique bem concentrada para a destruição das impurezas.
“Mas, se no momento apropriado, ele der atenção para cada um desses três sinais, então a mente dele estará maleável, manuseável e luminosa, e ela estará bem concentrada para a destruição das impurezas.
Suponha que um ourives habilidoso ou seu aprendiz preparasse uma fornalha, aquecesse um cadinho, e tomando ouro com um par de tenazes, o colocasse no cadinho. Ele sopraria periodicamente, borrifaria água periodicamente, examinaria periodicamente. Se o ourives soprasse continuamente a fornalha poderia se aquecer em demasia. Se ele borrifasse água continuamente a fornalha poderia se esfriar em demasia. Se ele apenas examinasse, o ouro não ficaria perfeitamente purificado. Mas, se no momento apropriado o ourives realiza cada uma dessas três funções, o ouro estará maleável, manuseável e luminoso, e com as condições apropriadas para ser trabalhado. Qualquer ornamento que o ourives queira fazer, quer seja uma diadema, brincos, um colar ou uma corrente, o ouro poderá agora ser usado para esse fim.
De modo semelhante, há esses três sinais aos quais um bhikkhu dedicado ao treinamento da mente superior deve dar atenção no momento apropriado, isto é, o sinal da concentração, o sinal do esforço energético e o sinal da equanimidade. Se ele der atenção a esses sinais com regularidade então a mente dele estará maleável, manuseável e luminosa, e ela estará bem concentrada para a destruição das impurezas.
Então, ele dirige a sua mente para qualquer estado que possa ser compreendido através do conhecimento direto, ele obtém a capacidade de compreender esse estado através do conhecimento direto, sempre que as condições necessárias estiverem presentes.

________________________________________
Notas:
[1] Samadhi é costumeiramente traduzido como concentração tanto no Português como no Inglês. Alguns mestres no entanto, como por exemplo Ajaan Brahmavamso, Ajaan Pasanno e Ajaan Sucitto, consideram que essa é uma tradução inadequada e preferem interpretar samadhi como aquietar, tranquilizar, sossegar, acalmar a mente. Nesse sentido fica mais fácil entender porque o sutta alerta para a questão da indolência ao dar atenção para o sinal da quietude (concentração, samadhi). [Retorna]
Veja também o AN III.100.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

OS CINCO OBSTÁCULOS MENTAIS E SUA SUPERAÇÃO (parte 1)

Algumas pessoas têm me perguntado como vencer obstáculos como a ira, ânsia de obter algo, luxúria, inquietação mental, enfim os estados mentais negativos, as obstruções, o que no budismo é chamado nivarana, normalmente traduzido como obstáculo.
Entre todos os obstáculos que surgem em nossa mente existem cinco principais, que são os que impedem a visão clara e o sucesso na meditação, a obtenção dos quatro jhanas (estados de concentração que permitem ver com clareza e fora das emoções aflitivas). Estes obstáculos são também os que atrapalham e interferem em todos os campos de nossa vida gerando dificuldades; eles são também como que os pais de todas as outras obstruções, eles são suas raízes principais.
Além de detectar isso e dar práticas que levam a uma visão profunda e bem mais penetrante, Buda oferece antídotos específicos a estes obstáculos. Tudo isso será tratado no texto a seguir apresentado e compilado por um conceituado monge da escola theravada, Nyanaponika Thera. Já foi publicado esse texto aqui na íntegra, mas por se tratar de um tema complexo e de um texto bastante longo resolvi apresentá-lo em partes, até para que estas sejam mais bem estudadas e levadas à prática entre cada uma das publicações, que serão como etapas da compreensão e da prática gradual a fim de vencer estes obstáculos. Aqui uma apresentação geral para o entendimento do tema e como é tratado na psicologia budista, no seguinte já teremos algo bem mais prático e também estarei fazendo comentários mais específicos e até mais pessoais na apresentação de cada parte.

Os Cinco Obstáculos Mentais e Sua Superação
Textos selecionados do Cânone em Pali e dos comentários.
Compilado e traduzido por Nyanaponika Thera
Introdução
A inabalável libertação da mente é a suprema meta na doutrina do Buda. Aqui, libertação significa: a libertação da mente de todas as limitações, amarras e laços que a amarram à Roda do Sofrimento, ao Ciclo de Renascimentos. Isso significa: limpar a mente de todas as impurezas; remover todos os obstáculos que barram seu progresso da consciência mundana (lokiya) para a supramundana (lokuttara-citta), isto é, para o estado de Arahant.
São muitos os obstáculos que bloqueiam o progresso no caminho espiritual, mas existem cinco em particular, conhecidos pelo termo pali nivarana, que são mencionados frequentemente nos textos Budistas:
1. Desejo sensual (kamacchanda),
2. Má-vontade (byapada),
3. Preguiça e torpor (thina-middha),
4. Inquietação e ansiedade (uddhacca-kukkucca),
5. Dúvida (vicikiccha).
Eles são chamados de "obstáculos" porque bloqueiam e envolvem a mente de várias formas, obstruindo seu desenvolvimento (bhavana). De acordo com os ensinamentos Budistas, o desenvolvimento espiritual é duplo: através da tranquilidade (samatha-bhavana) e através do insight (vipassana-bhavana). A tranquilidade é ganha através da completa concentração da mente durante os estados de absorção meditativa (jhana). Para alcançar tais estados, a superação dos cinco obstáculos, pelo menos temporariamente, é uma condição preliminar. É justamente nesse contexto de se atingir os jhanas que o Buda menciona os cinco obstáculos em seus discursos.
Há cinco fatores mentais constituintes que são os principais representantes do primeiro jhana, chamados portanto de fatores de absorção (jhananga). De acordo com os comentários, cada um dos cinco obstáculos é especificamente prejudicial a um desses fatores, impedindo seu desenvolvimento e refinamento requerido para os jhanas; por outro lado, o cultivo desses fatores além do nível comum funciona como um antídoto contra os obstáculos, preparando o caminho para os jhanas. Nesse texto é indicada a relação entre esses dois grupos de cinco na seção com o título do obstáculo correspondente.
Não somente os jhanas, mas também os níveis menores de concentração mental são bloqueados pelos cinco obstáculos. Portanto a concentração de "acesso" ou "vizinhança" (upacarasamadhi), é um estágio preliminar para a total absorção (appana) que ocorre nos jhanas. A concentração momentânea (khanikasamadhi) também está afastada da presença dos obstáculos. Além desses estados superiores de desenvolvimento mental, qualquer tentativa sincera de se ter visão clara e um modo de vida puro será seriamente afetada pela presença dos cinco obstáculos.
Essa influência generalizada e danosa dos cinco obstáculos revela uma necessidade urgente de se diminuir o poder deles através de esforços contínuos. Ninguém deve acreditar que é suficiente prestar atenção nos obstáculos somente durante os momentos em que se está sentado para meditação. Esse esforço de última hora para suprimir os obstáculos raramente terá êxito a não ser que seja auxiliado pela dedicação prévia durante a vida diária.
Alguém que aspire sinceramente à inabalável libertação da mente deveria, portanto, escolher uma "base de trabalho" com importância direta e prática: um kammatthana no seu sentido mais amplo, em que está baseada toda a estrutura de sua vida. Agarrar-se a essa "base de trabalho", nunca perdê-la de vista por muito tempo, isso, por si só, já será um progresso considerável e encorajador no controle e desenvolvimento da mente, porque dessa forma, as forças direcionadoras da mente serão consideravelmente fortalecidas. Alguém que escolheu a superação dos cinco obstáculos como "base de trabalho" deveria examinar qual dos cinco é o mais forte no seu caso pessoal. Então essa pessoa deve observar cuidadosamente como, e em que ocasiões, eles geralmente aparecem. Essa pessoa também deve, posteriormente, conhecer os estados mentais benéficos que permitem que cada um desses obstáculos possa ser afastado e, finalmente superado; também deve-se examinar a própria vida em busca de oportunidades para desenvolver essas qualidades, que, nas páginas seguintes, foram indicadas sob as faculdades espirituais (indriya), os fatores de absorção (jhananga) e os fatores da iluminação (bojjhanga). Em alguns casos foram adicionados temas de meditação, o que irá ajudar na superação dos respectivos obstáculos.
Entretanto, para um "mundano" (puthujjana), somente uma suspensão temporária e enfraquecimento parcial dos obstáculos pode ser alcançado. A final e completa erradicação só ocorre ao se alcançar os estágios do despertar (ariyamagga).
- A dúvida é eliminada no primeiro estágio, o caminho de entrada na correnteza (sotapatti-magga).
- O desejo sensual, a má-vontade e a ansiedade são eliminnados no terceiro estágio, o caminho de não-retorno (anagami-magga).
- A preguiça, o torpor e a inquietação são eliminadas no caminho de Arahant (arahatta-magga).
A recompensa da batalha contra os obstáculos não é somente limitada a tornar possível uma concentração meditativa mais superficial ou profunda, mas também, todo passo dado no enfraquecimento desses obstáculos nos leva para mais perto dos estágios do despertar, onde a superação dos obstáculos é inabalável.
Apesar da maior parte dos textos que seguem, traduzidos dos Discursos do Buda e dos comentários, se dirigirem aos monges, eles também são válidos para aqueles que vivem em família. Assim como os Antigos Mestres dizem: "O bhikkhu (monge) é mencionado aqui como um exemplo daqueles dedicados à prática do Ensinamento. Qualquer um que siga tal prática se inclui no termo 'monge'".

Tradução : Raryel Costa Souza
Copyright © 2000 - 2013, Acesso ao Insight - Michael Beisert: editor.




sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Buddha como Terapeuta: Meditação & Conversas | Prof. Dr. Maurits Kwee

24/01 a 14/02 – Buddha como Terapeuta: Meditação & Conversas | Prof. Dr. Maurits Kwee no Brasil 2016
16/11/2015

É um grande prazer para o Centro de Estudos Buddhistas Nalanda anunciar a primeira vinda do Prof. Dr. Maurits Kwee ao nosso país, para um programa de ensinamentos e práticas em Sergipe e Minas Gerais, incluindo o Retiro de Carnaval 2016 no Nalandarama.
O Dr. G.T. Maurits Kwee é PhD em Psicologia Clínica e Fundador do Institute for Relational Buddhism & Karma Transformation, Holanda, além do Faculty Member do Taos Institute (USA) e da Tilburg University (Holanda).
Adepto do Zen e do foco no coração desde sua juventude, ele obteve um doutorado em ciências médicas da Erasmus University de Rotterdam. Dr. Kwee foi Visiting Prof. e Research Fellow da Waseda University, Tokyo, e da Universidad de Flores, Buenos Aires.
Como clínico, pesquisador, supervisor e organizador de 13 convenções internacionais, ele ensinou em vários países e foi cátedro da Transcultural Society for Clinical Meditation (Japão) e board member da Society for Constructivism in the Human Sciences (USA).
Dr. Kwee projetou uma psicologia integral e secular inovadora do Buddhismo que transcende as escolas buddhistas tradicionais. Seu centro é encontrar a felicidade enquanto alegria e contentamento em meio às adversidades da vida pela Transformação do Karma do medo, da raiva e da tristeza.
Após sua aposentadoria, ele dedica sua energia a apresentar a psicologia buddhista e a psicoterapia/aconselhamento e dissemina um ensinamento buddhista rejuvenescido enquanto um método de estímulo da higiene mental por meio da inoculação do estresse.
Dr. G.T. Maurits Kwee e Ricardo Sasaki participaram juntos de várias conferências internacionais nos últimos anos, e o Centro Nalanda sente-se muito contente em promover sua visita ao Brasil e os vários ensinamentos que serão dados.
Confira o programa em detalhe no final da página
PROGRAMA EM ARACAJU/SE
·         27 de janeiro(quarta-feira)
o    Palestra “O Buddha como Terapeuta & a Meditação como Instrumento de Cura” ~ das 19h30 às 21h00
o    Participação: R$ 30,00
o    Faça sua inscrição agora! ou direto no local
o    Local da palestra:
Pathae Aracaju
Rua Juarez Carvalho, 86 – Grageru
Aracaju – SE, 49025-370
Telefones: André (79) 9889 0907 ou Rita (79) 9191 5441

E-mail: nalandaracaju@gmail.com | nalanda@nalanda.org.br
·         29 a 31 de janeiro (sexta, sábado e domingo, com várias oportunidades de participação)
o    Workshop 1 – 29/1 (sexta-feira) : A Pura Observação Vigilante (Mindfulness) + as Meditações da Respiração, do Sentir e da Morte | Será abordado o Tema 1, ver abaixo
o    Workshop 2 – 30/1 (sábado): Buddhismo 4.0 (enquanto Psicologia) + as Meditações do Riso, Sorriso e Canto | Será abordado o Tema 2, ver abaixo
o    Workshop 3 – 31/1 (domingo de manhã): Transformação do Karma + Exercícios em ABC  | Será abordado o Tema 3, ver abaixo
PARTICIPAÇÃO:
Os seguintes valores válidos até 30/11:
Workshop 1: R$ 180,00
Workshop 2: R$ 180,00
Workshop 3: R$ 90,00
Os 3 Workshops:  R$ 350,00
·         O Workshop 1 não inclui café da manhã e começa às 9h00. Inclui almoço e jantar.
·         O Workshop 2 inclui café da manhã, almoço e jantar.
·         O Workshop 3 termina após o almoço e inclui café da manhã e almoço.
·         O que levar: almofada para meditar; manta para colocar abaixo da almofada; higiene pessoal
·         Faça sua inscrição agora!
·         Local do retiro:
Casa São José
Povoado Rio das Pedras
Areia Branca – Sergipe
Entrada do Junco
Telefones: André (79) 9889 0907 ou Rita (79) 9191 5441

E-mail: nalandaracaju@gmail.com | nalanda@nalanda.org.br
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PROGRAMA EM BELO HORIZONTE/MG
·         Data: 5 a 14 de fevereiro
·         Local: Nalandarama, o centro de retiros do Nalanda em Minas Gerais(40 min de Belo Horizonte)
·         Os eventos serão realizados em nosso centro de retiros num tranquilo lugar a 40 minutos da cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais. Situado próximo à Serra do Rolamoça em Casabranca ~ o local é ideal para o desenvolvimento da calma e introspecção interior.
·         No ato da inscrição você deve nos avisar se irá de carro ou necessitará de uma carona com nossa van.
Programa I: Quatro Workshops (A Meditação)
Este programa ocorre durante os dias de Carnaval.
Workshop 1 – 6/2, sábado: O Buddhismo de Borobudur em Java + Amorosidade, Compaixão e as Meditações do Homem Astuto | Será abordado o Tema 5, ver abaixo
Workshop 2 – 7/2, domingo: A Pura Observação Vigilante (Mindfulness) + as Meditações da Respiração, Sentir e da Morte | Será abordado o Tema 1, ver abaixo
Workshop 3 – 8/2, segunda: Buddhismo 4.0 (enquanto Psicologia) + as Meditações do Riso, Sorriso e Canto | Será abordado o Tema 2, ver abaixo
Workshop 4 – 9/2, terça: Perguntas & Respostas + Vivências
Participação:
Os seguintes valores válidos até 30/11:
Programa I: R$ 720,00 (os quatro dias inteiros)
Participação isolada: R$ 200,00 ao dia

Programa II: Quatro Workshops e meio (O Diálogo)
Workshop 1 – 10/2, quarta: O Buddhismo Grego Antigo/Pan-Buddhismo/Skandhas + Demonstração Viva em ABC  | Será abordado o Tema 4, ver abaixo
Workshop 2 – 11/2, quinta: Karma-Renascimento, 12 Elos & Transformação do Karma  + Exercícios em ABC | Será abordado um dos tópicos do Tema 3, ver abaixo
Workshop 3 – 12/2, sexta: ‘Merdas Acontecem’, Transformação do Karma + Demonstração Viva em ABCDE | Será abordado um dos tópicos do Tema 3, ver abaixo
Workshop 4 – 13/2, sábado: ‘Uma Porcaria chamada Karma’, Transformação do Karma + Exercícios em ABCDE  | Será abordado um dos tópicos do Tema 3, ver abaixo
Encerramento – 14/2, domingo pela manhã: Perguntas & Respostas
Participação:
Os seguintes valores válidos até 30/11:
Programa II: R$ 600,00 (os quatro dias inteiros)
Participação isolada: R$ 180,00 ao dia (domingo é gratuito para quem participar do Programa II)
Participação nos Programas I e II completos: R$ 1200,00

Válido para os dois Programas:
·         Local: Nalandarama, o centro de retiros do Nalanda em Minas Gerais. Confira link para mapa e direções.
·         Preferência de hospedagem será dada a quem fizer o programa inteiro. Se houver vaga nos quartos os participantes isolados poderão passar a noite. Se não houver vaga ou se preferir não se hospedar nos quartos, será possível (1) acampar desde que tragam barraca, (2) dormirem em acomodações fora do retiro, (3) ou indo e voltando à noite para BH. Nesses três casos, oferecemos 10% de desconto.
·         Os valores acima são para os quartos triplos. Aqueles que desejarem quartos duplos devem acrescentar 10%.
·         Vagas preenchidas estritamente por ordem de inscrição com depósito. Recomenda-se fazer sua inscrição o quanto antes.
·         Membros do Nalanda (alunos regulares ou membros à distância) poderão pleitear 10% de desconto; ou oferecerem estes 10% como dana para o Centro e suas novas construções.
·         Os descontos não são cumulativos; você deve escolher qual.
·         Consulte-nos sobre qualquer dificuldade em investir com essa quantia. Parcelamos os valores em até 10X, principalmente se as parcelas começarem desde já.
·         Desistências até 23 de dezembro: devolução integral do depósito; depois dessa data, devolução de 80% do valor até 20 de janeiro; 50% do valor entre 20/01 e 29/01; e de 30% com menos de 1 semana do início do retiro.
Consulte-nos sobre descontos caso você queira participar do retiro em BH e também dos eventos de Aracaju. Email: nalanda@nalanda.org.br e tel: 031.99651.6369
No ato da inscrição você deve nos avisar se irá de carro ou necessitará de uma carona com nossa van.
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Visão Geral:
Buddha como Terapeuta: Meditação & Conversas
Neste multi workshop os participantes são convidados a descobrir as técnicas de transformação do karma inseridos no quadro geral do Buddhismo Relacional ou Buddhismo 4.0, uma abordagem secular/não-religiosa do Buddhismo, um Buddhismo visto como psicologia/terapia-aconselhamento-coaching.
Esta abordagem almeja a transformação da conduta, da mente e da linguagem que contêm o tom e a mensagem conversacional (conversa consigo mesmo e conversa com o outro) que desembocam no humor não sadio e em cenários perturbadores da expressão emocional interpessoal. A ênfase será na alteração dessas tendências irracionais na direção de uma ação intencional sadia, isto é, autodiálogo, que é visto como interdependentemente relacionado ao pensamento, sentimento, motivo, comportamento e inter-mente.
Isso será feito na tradição do Buddha Gautama que denominou a si próprio como ‘kammavadin’, um especialista na ação intencional, ou seja, karma (kamma) que está centrado na ganância e no ódio devido à ignorância a respeito do funcionamento da mente.
Os workshops interativos abrangem e explicam temas e conceitos centrais, pan-buddhistas, e os traduzem em seus termos psicológicos análogos. Almeja-se um entendimento adequado da arte habilidosa de focar e transformar os temas perturbadores dos clientes e/ou participantes. Iremos também sublinhar os detalhes da Psicologia Buddhista e dez exercícios meditativos incluindo a “plenitude do coração”.
A Psicologia Buddhista será explorada num compasso com a Transformação do Karma, e demonstrada na prática colaborativa. A resposta de voluntários será trabalhada diante dos participantes. Haverá amplo espaço para a troca mútua durante esses dias: Perguntas & Respostas, deliberações e discussões. A ideia básica desses dias será o compartilhamento, corporificação e infusão de vida e vivacidade nos ensinamentos tradicionais.
Um amplo material em língua inglesa será oferecido para aqueles que fizerem a inscrição, mas a participação e aproveitamento nos workshops não será dependente dessas leituras.
Temas em Detalhe:
TEMA 1
Plenitude do Coração (observação vigilante/mindfulness pura): Como se relacionar com os sentimentos e pensamentos aqui e agora?
Uma experiência com a mãe de todas as meditações tal como praticada durante 2600 anos por numerosos Buddhas que encontraram a paz dentro de si e consigo mesmos. A habilidade da plenitude do coração foi desenvolvida e transmitida por gerações e sintetizada aqui em 8 passos: tranquilização, absorção, originação dependente, vazio/não-eu, não, matar o Buddha, inter-mente e desconstrução. Este processo enriquecedor da vida é fundamentado no treinamento de como aceitar incondicionalmente o fluxo do sentir/pensar/fazer. Ele se insere na psicologia buddhista não-religiosa/secular.
O objetivo é ir além da famosa plena atenção (mindfulness) redutora de estresse. O exercício de escolha é sentir o foco no coração que clareia, que eu e si mesmo são construções linguísticas e que torna compreensível o significado da vida como estar vivo. O esforço sem esforço é chegar a conhecer o eu enquanto ser e desmascarar o si mesmo como uma imagem-conceito dualista. Esvaziar as auto-ilusões separativas e desativar a ilusão da Verdade Transcendental é uma prática contemporânea de desconstrução social. Prestar atenção a isso aumenta a consciência da vida como uma série de momentos aqui-agora que torna fúteis o apego ao ontem e ao amanhã.
Este workshop interativo almeja a felicidade neste mundo como um efeito colateral da plenitude do coração em ação durante o pensamento criativo e o concomitante comportamento-no-fluxo. A maior experiência é o vazio derradeiro do si mesmo (via natureza-de-buddha até o Buddha-dentro) que abre nossa interconexão relacional como uma realidade a ser vivida de maneira habilidosa, como um Buddha sorridente em meio à adversidade.
TEMA 2
A Psicologia no Buddhismo: Como tornar-se amigo de si mesmo?
Uma experiência do Buddhismo não-teísta: onde ele se originou, quais suas bases e como enriquecer nossas vidas por seu intermédio? Abordaremos uma visão abrangente pan-buddhista que engloba a psicologia. Almejando nos tornar nosso melhor amigo, isso vai além da plena atenção/mindfulness enquanto redução do estresse.
Um modo de chegar a isso é por meio da plenitude do coração: contemplação da morte, yoga do riso e meditação do sorriso. A quintessência é o cultivo do contentamento e do bom humor, auto-aceitação incondicional, equilíbrio, humor, tolerância, coração aberto e gentileza em relação a si mesmo em meio a uma vida de emoções negativas e a tolerância da tristeza, do medo e da loucura, capacitando-nos assim a sentir novamente a alegria.
Esses exercícios se dão dentro de um workshop interativo abordando a vida e os ensinamentos do Buddha histórico (um ser humano mortal e falível). Embora o conteúdo seja elevado, ele nunca se declarou um profeta ou uma divindade.
Colocando de lado a metafísica, sua mensagem do vazio não se refere a um transcendente, mas a um aqui e agora e é identificável como uma psicologia secular mais que uma religião. Ela gera (karma) um sentir-pensar-fazer sadio por meio do treinamento equilibrado do autodiálogo inspirado por uma atitude de vida de bondade, compaixão e alegria.
A ideia básica do Buddhismo, como o não-eu e eu-como-ilusão, é explicada por meio do que aqui é cunhado como Antigo Buddhismo Grego de modo a adquirir e aplicar a arte e ciência de relacionamento com o eu (e com outros também) na vida diária.
TEMA 3
Transformação do Karma do estresse: como cultivar o autodiálogo da ação construtiva?
Uma experiência interativa da arte e ciência da conversação metodológica ao longo de linhas buddhistas que almeja a transformação do karma (definido como ação intencional) e que inclui uma demonstração presencial.
Este workshop é para todos que profissional ou pessoalmente estão interessados em obter um insight sobre si mesmo e no equilíbrio da vida (de si mesmo e dos outros). Apresentado por um psicólogo muito antes do termo ‘psicologia’ ter sido cunhado, O Buddha foi um precursor do lidar com as emoções contidas e confusas por meio da transformação da autosabotagem, da conduta e da cognição. Apesar de não tão óbvio, as práticas buddhistas de esvaziamento da mente e da desconstrução do self/ego são congruentes com as bases do aconselhamento, trabalho clínico e coaching empresarial e de liderança contemporâneos.
Os participantes devem estar dispostos a corporificar o espírito construtivo da amorosidade, da compaixão empática e da alegria apreciativa na sabedoria meditativa e na harmonia relacional. Tais atitudes básicas abrangem os fatores gerais na transformação da mente da tristeza, confusão e medo para uma alegria e contentamento na conversa com o conselheiro, coach ou terapeuta inseridos no reino do autodiálogo kármico diário.
Este workshop revela ingredientes para uma apresentação inspiradora com humor e seriedade. Oferece um insight de sabor buddhista durante as conversações clínicas por meio de uma troca vívida com a audiência. Almejando uma mentalidade desperta, os estudantes obtém um insight profundo um habilidade buddhista secular inovadora com impactos abrangentes na vida.
TEMA 4
Buddha como Apolo: Introdução às Meditações Terapêuticas e ao Diálogo Transformador
Este workshop é sobre a prática e as bases das meditações de cura e dos diálogos transformadores, fundamentados na Terapia Comportamental Racional Emotiva, almejando a desintoxicação daquilo que o Buddhismo chama de três venenos: ganância, ódio e ignorância presentes na mente. Esses temas são ainda relevantes nos dias atuais como pode ser notado na ganância e ódio presentes na sociedade.
Em termos contemporâneos a ganância se refere ao medo de perder e à tristeza quanto ao que se perdeu. O ódio se refere à raiva ou agressividade em relação aos outros ou a raiva em direção a si mesmo, também conhecido como depressão. Em resumo, isso se trata de discernir os sentimentos ruins (tristeza, loucura e medo) e transformá-los no se sentir alegre, contente e feliz.
O workshop lida com a meditação em relação ao vazio e com o diálogo terapêutico para a transformação dos três venenos, uma narrativa psicológica que sublinha alguns momentos da vida do Buddha e alguns dos mais relevantes eventos do pan-Buddhismo. Sua essência é desmitologizar a pessoa do Buddha e a secularização do Buddhismo no contexto do ajuste de seu ensinamento sobre o karma para o século 21.
O resultado é denominado Buddhismo 4.0, uma forma secular de Buddhismo que lida com a psicoterapia e com a psicologia que não se opõe ao Buddhismo enquanto busca da libertação para a humanidade (1.0), como movimento religiosos (2.0) e como filosofia ética (3.0).
TEMA 5
Uma Psicologia da Bondade Esculpida na Pedra (O Caminho do Vazio do Bodhisattva @ Borobudur)
Um workshop que é uma introdução ao cume do Mahāyāna tal como retratado em Borobudur, uma gigantesca construção em forma piramidal protegida pela UNESCO. Seu mistério será revelado numa excursão virtual a esta universidade a céu aberto onde os estudantes aprenderão a se tornarem Bodhisattvas (futuros Buddhas) em 10 passos, guiados por 5 livros e narrativas gráficas com quase 500 painéis. Uma caminhada de 5 km pode culminar na natureza do vazio (uma experiência de reinicialização) imbuída de amorosidade, compaixão empática e alegria compartilhada.
A construção da majestosa mandala no formato de stupa data do ano 800 e se localiza entre dois vulcões gêmeos em Java. Suspeita-se que a maravilha feita com pedras de lava serviu como local cerimonial onde reis foram coroados como Bodhisattvas e ainda hoje é um lugar de peregrinação e glorificação do Buddhismo. Definitivamente foi um presente real à humanidade enquanto centro educacional. Sua ascensão pode ser instrumental na realização do despertar em uma vida. Ela também retrata uma psicologia do Buddhismo Relacional onde significado e felicidade são derivados do cuidado interpessoal no equilíbrio intrapessoal sob o fundo da natureza vazia. Em certo sentido isso abarca uma visão construtivista social pós-moderna da mensagem buddhista por meio da iluminação do vazio de verdades transcendentais e a elucidação da Intermente-entre-os-não-eus. Com efeito, nesta viagem experiencial/virtual teremos a subida AHA e a descida HAHA que completa o ciclo total da jornada dos buscadores.